AROUCA


AROUCA

21 e 22 de julho | veja a reportagem

Que desafio, esta viagem da CdP: contactar com os primórdios da evolução, entrar em várias viagens no tempo, fazer cócegas às nuvens, deambular pela misteriosa serra da Freita, guardar sabores deslizantes e convidativos, desde a vaquinha arouquesa, ao bacalhau, aos doces conventuais, …

Pois! Iniciámos por retroceder cerca de 480 milhões de anos para um encontro com um dos capítulos da origem da vida, através dos artrópodes característicos do Paleozoico, as trilobites vindas das bandas do Pólo Sul, ufanas com seus olhos complexos, graças à tenacidade do Sr. Manuel Valério e ao CIGC. O Vale do Paiva guarda os icnofósseis da Formação Santa Justa propostos para Património Paleontológico Português.

Depois foi abraçar a Serra da Freita com seus segredos, serpenteando com o olhar pelos cambiantes do sobrevivente verde, deslizando por riachos, quedas e cascatas, pelos passadiços, até chegar à Mizarela… E ainda o olhar espectando antas, pontes, atentando nas pedras boroas, nas marmitas de gigante e principalmente nas pedras parideiras. Estas deslizaram brilhantes, como discos-voadores, até Castanheira e seu dinâmico Centro Interpretativo (excecional vídeo explicativo), depois de se desincrustarem dos núcleos da rocha-mãe por termoclastia/crioclastia. Só aqui, nesta aldeia diluída na encosta.

O Mosteiro cisterciense de Arouca (fundado no século X e no XIII seguiu a ordem de Cister), por onde passou e ficou a beata D. Mafalda de Portugal - levada pela burrinha, como conta a lenda-, revelou-se pelo acervo de referência da arte portuguesa, no Museu de Arte Sacra da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Porém, adquiriu vida numa espécie de filme/vida paralela a três dimensões, com cores, cheiros, toques, folheando-se a vivência conventual nos vários recantos monásticos. Durante umas horas, o grupo fez parte da história arouquense. Congratulações a todos os que idealizaram e participaram na recriação histórica!

Ainda deu para saborear, do outro lado da rua, pitéus da doçaria outrora criada por mãos de freiras e, outrossim, a aconchegante Capela maneirista da Santa Casa da Misericórdia. Em frente, a Beata Mafalda volvida para a porta da Igreja dos leigos, magnetizava o olhar e os passos, quase fazendo esbater a exuberante decoração setecentista, as imagens em pedra de Ançã de Jacinto Vieira, o portentoso órgão, o Coro gradeado das freiras.

Detrelo da Malhada, sobre solo «xistento», exibiu vaidoso a vertente norte da serra da Freita e o úbere vale do Arda, mesmo sob a cortina do nevoeiro que não se afastava apesar do vento. E a Frecha da Mizarela presenteou-nos com suas águas que cantavam ao longo da sua projeção de mais de 60 metros, acolhidas pela vegetação primitiva que teima em sobreviver.

Para guardar este concelho e sua envolvência, com a solícita e conhecedora Nair Chaves, guia do Arouca Geopark, mesmo sob um manto cinza, acedeu-se ao piso panorâmico do Radar Meteorológico de Arouca e do IPMA, rodando desde a serra da Estrela à ria de Aveiro, do Caramulo ao Atlântico.

O Cozido da Velha esperava em Felgueira: único, com sabores da terra sob o testo de pão! Já com um pé na vizinha Vale de Cambra. Esta aldeia de granito e lousa luta para não perder a sua memória, a sua identidade, personalizada pela sua Associação Desportiva e Cultural. Dorinda e Diana revelaram o que se ocultava pelas ruelas cheias de histórias, até chegarmos à entusiasta D. Rosa de 91 anos que acariciava o linho da sua vida, e ao Sr. Arlindo na mestria de alfaiate. Engenheiro, pastor e animador José Ferreira esperava o grupo em Arões que foi envolvido nas danças tradicionais e nos saberes e sabores da região.

 

ÓTIMOS TODOS OS VOSSOS DIAS, sob o abraço estival!!!

 

Maria Ivone da Paz Soares


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