Linguagem, Experiência e Cognição: a construção do texto argumentativo
Acção de Formação "Linguagem, Experiência e Cognição: a construção do texto"
Registo n.º CCPFC/ACC-64205/10
Destinatários: Grupos 200, 210, 220, 300
Modalidade: Curso de Formação
Horas: 25h Créditos: 1
A data de início é meramente indicativa
Sócios: 50€ / Não Sócios: 125€
Conteúdos
1.O ensino da escrita: o estado do problema [2 horas]
1.1. «A escola, que tão mal ensina a escrever, não ensina, de todo, a falar.», José Saramago
1.1.1. Retratos de um problema
1.1.1.1. A escrita no percurso escolar, do básico ao universitário (Associação Portuguesa de Linguística, 1987)
1.1.1.2. A literacia na escola: o estudo IAEEA (1988-1993)
1.1.1.3. A urgência de uma pedagogia da escrita (Fonseca 1992)
1.1.1.4. A literacia na população adulta: o estudo A literacia em Portugal (Benavente et al, 1996)
1.1.1.5. A polémica Vasco Graça Moura / Inês Duarte (2004)
1.1.1.6. O estudo Desempenho dos alunos em Língua Portuguesa - ponto da situação (Ucha, 2007)
1.2. Porque escrevem e falam tão mal tantos alunos?
1.2.1. Hipótese 1: didácticas e práticas (Rei 1998; Pereira 2000)
1.2.2. Hipótese 2: programas de Português das últimas décadas (Castro 1991; Vilela 1994)
1.2.3. Hipótese 3: Ritmos de acesso à cultura escrita nos séculos XIX e XX (Candeias 2000; Soares 2005)
1.2.4. Hipótese 4: Interferência leitura-escrita (Carvalho 1992; Castro-Caldas 2000)
1.2.5. Hipótese 5: manuais (Rodrigues 1999, Sousa 1999), gramáticas (Castro 1996; Pereira et al 2003) e terminologias escolares (Castro 1997)
1.2.6. Hipótese 6: políticas da língua (Moura 2004)
1.3. Propostas ou tentativas de solução
1.3.1. Aprender através e para além do erro (Azevedo 2000)
1.3.2. Ensino da escrita: do modelo de explicitação ao modelo de transformação do conhecimento (Carvalho 2001)
1.3.3. Aprendizagem interactiva dos processos de escrita (Santos 1994)
1.3.4. Comunidades culturais de escrita (Niza 2005)
1.3.5. Ler mais para escrever melhor: o Plano Nacional de Leitura
1.3.6. Articular melhor as dinâmicas de trabalho: o Programa Nacional de Ensino do Português (2006)
1.4. Partilha de Experiências e Debate de Ideias
2. O enquadramento linguístico-cognitivo [3 horas]
2.1. Linguística Cognitiva, um novo paradigma em Linguística
2.2. A linguagem como adaptação biológica
2.3. Experiência corpórea e domínios cognitivos
2.4. Categorias no pensamento e na linguagem
2.5. Operações cognitivas no pensamento e na linguagem
2.6. Do pensamento à linguagem: a gramática cognitiva de uma língua
2.6.1. Sistemas esquemáticos de estruturação conceptual e classes de palavras
2.6.2. Coisas e Nomes
2.6.3. Situações como unidades temporais ou relacionais
2.6.4. Tipos de textos e processos cognitivos
3. A genialidade natural do falante médio: exploração cognitiva do Sermão da Sexagésima [3 horas]
3.1. Breve história da argumentação
3.1.1. Dialéctica e Retórica em Platão
3.1.2. Da Retórica de Aristóteles aos clássicos medievais
3.1.3. O Sermão da Sexagésima e a tradição retórica
3.1.4. Declínio e Redescoberta da Retórica
3.1.5. Argumentação nas teorias linguísticas
3.1.5.1. ANL – Teoria da Argumentação na Língua (Ducrot et al.)
3.1.5.2. AND – Teoria da Argumentação no Discurso (Ruth Amossy)
3.1.5.3. ANC – Argumentação na Comunicação (Arthur Wilard)
3.1.5.4. ANT – Teoria da Argumentação no Texto (Adam)
3.2. O «discurso engenhoso» e a Gramática Cognitiva da língua
3.2.1. A natureza simbólica da gramática de uma língua
3.2.2. A natureza neurodinâmica das categorias linguísticas
3.2.3. Significado e simulação neurocognitiva
3.2.4. Léxico e gramática, sub-sistemas do sistema cognitivo da Linguagem
3.2.5. O sistema esquemático da dinâmica de forças e a intencionalidade argumentativa
3.2.6. A função textual da linguagem
3.2.6.1. A dimensão textual da linguagem
3.2.6.2. Representação conceptual do texto, coerência e coesão
3.2.6.2.1. Coerência referencial e coerência relacional
3.2.6.2.2. Principais relações de coerência
3.2.6.3. A conceptualização espácio-temporal do texto
3.2.6.3.1. O texto como produto concluído
3.2.6.3.2. O texto como produção
3.2.6.4. Representação conceptual do texto e competência comunicativa produtiva e receptiva
3.2.6.4.1. Macro-estrutura, micro-estrutura e super-estrutura de um texto
3.2.6.4.2. As macro-operações: planifica, textualiza, relê/revê
3.2.6.4.3. Estruturas sequenciais básicas e marcadores específicos
4. A pedagogia da escrita: lições práticas do Sermão da Sexagésima [15 horas]
4.1. A via vieirina: invenção, meditação, disposição, elocução (oral, escrita)
4.2. A invenção (inventio) das ideias
4.2.1. Observação interna (ideias, sentimentos, imagens, exemplos)
4.2.2. Observação externa (ideias, sentimentos, imagens, exemplos)
4.2.3. Exercício 1: A arte de encontrar ideias
4.3. A elaboração das ideias (meditatio):
4.3.1. O objecto em si
4.3.2. O objecto em relação
4.3.3. Exercício 2: A arte de desenvolver ideias
4.4. Disposição (dispositio) e representação conceptual do texto
4.4.1. O texto como produto e a organização do texto
4.4.2. O texto como produção e o processo de criação e interpretação do texto
4.4.3. Ordem geral e ordens particulares dos assuntos
4.4.4. Exercício 3: A arte de planificar a fala e a escrita
4.5. A elocução (elocutio) por meio da linguagem
4.5.1. Os «borrões» e a pedagogia da escrita: da fala à escrita, da escrita à leitura
4.5.1.1. A sequência argumentativa e a exposição oral de argumento curto
4.5.1.1.1. Mapas conceptuais, superestrutura argumentativa e planificação de argumentos
4.5.1.1.2. Teclar e argumentar: o blogue; software livre para o ensino da argumentação
4.5.1.1.3. Exercício 4: A arte de compor e expor uma sequência argumentativa
4.5.1.2. Da sequência argumentativa ao texto argumentativo
4.5.1.2.1. Exercícios de escrita por modelo: o recurso a modelos automatizados
4.5.1.2.2. O mapa de ideias na planificação do texto argumentativo
4.5.1.2.3. Exercício 5: A arte de compor um texto argumentativo
4.5.2. Os «borrões» e as revisões estilísticas
4.5.2.1. Visão experiencialista do significado e recursos estilísticos
4.5.2.2. A imaginação literária e a integração conceptual ou mesclagem de conceitos
4.5.2.3. Um modelo para a avaliação dos textos argumentativos (oralidade / escrita)
4.5.2.4. Exercício 6: A arte de avaliar e rever uma produção escrita.
4.6. A intencionalidade do autor e a liberdade do leitor
4.6.1. Estratégias discursivas e causalidade intencional: ethos, pathos e logos;
4.6.2. A causalidade no Sermão da Sexagésima: antagonismo ou concertação de dinamismos?
4.6.3. A metáfora conceptual ARGUMENTAR É SEMEAR e a interacção entre locutor e interlocutor(es)
4.6.4. Exercício 7: A arte de aperfeiçoar um estilo
5. O Projecto Palavr@s – Centro de Escrita [2 horas]
5.1. Descrição, Metodologia e Resultados;
5.2. Principais lições do Projecto
5.2.1. Recursos humanos, materiais e temporais necessários
5.2.2. Hipótese de Trabalho: existe conhecimento mínimo, mas não é mobilizado automaticamente
5.2.3. Centro de Escrita ou Círculo de Escrita: a arte de acompanhar jovens escritores
5.2.4. Princípios Gerais para uma pedagogia da escrita
5.3. Avaliação do Curso
Objectivos
* Equacionar a responsabilidade da escola e do docente na questão do ensino da escrita;
* Situar o Sermão da Sexagésima na história da argumentação e retórica;
* Reconhecer a centralidade da argumentação no desenvolvimento da competência oral e escrita;
* Compreender noções fundamentais da Linguística Cognitiva;
* Compreender como o «discurso engenhoso» de Vieira assenta em capacidades naturais de qualquer falante;
* Reconhecer a motivação cognitiva dos procedimentos retóricos contidos no Sermão da Sexagésima;
* Planificar e construir um texto argumentativo usando o método vieirino;
* Reconhecer as potencialidades e as possibilidades de implementação do método vieirino em contexto escolar para implementar uma pedagogia da escrita eficaz.
Metodologias
A metodologia do curso inclui sessões teórico-práticas orientadas para a partilha de saberes ou experiências e para a aplicação prática dos conteúdos expostos através de uma série de exercícios práticos e graduais. Pressupondo que só é bom acompanhante do escrever quem tem experiência de escrever, o curso desafia os formandos a praticar primeiro os procedimentos do método vieirino, produzindo e expondo um argumento curto e escrevendo um texto argumentativo, para repensar depois as suas práticas de ensino da escrita através de uma transposição analógica da sua experiência pessoal da via vieirina.
Formador: António Ângelo Mendes
INFORMAÇÃO
1.A calendarização das ações de formação pode ser alterada por motivos imprevistos, situação que será sempre comunicada de imediato aos formandos interessados.
2.As inscrições estão abertas a todos os docentes, quer sejam ou não associados da Casa do Professor (CdP).
3.A admissão de formandos para a frequência de ações promovidas pelo Centro de Formação da Casa do Professor (CFCdP) é regulada por dois critérios:
3.1. Cada turma será constituída de acordo com os seguintes valores percentuais: 75% de associados da CdP, com a sua situação administrativa regularizada, e 25% de não associados; esta percentagem pode variar consoante o número de inscrições em cada ação de formação;
3.2. Ordem de inscrição.
4.Caso ainda haja vagas disponíveis, a seleção dos formandos inscritos fora do prazo fixado segue os mesmos critérios indicados nos dois pontos imediatamente precedentes.
5.A comunicação da seleção será efetuada por correio eletrónico, com pedido de confirmação da parte do formando num prazo determinado; se a resposta não for dada até à data limite, os formandos receberão nesse mesmo dia um SMS com a indicação de que devem contactar o CFCdP; se não o fizerem, a sua inscrição para a formação em causa será anulada, mantendo-se no entanto válida para futuras sessões.
6.A confirmação da frequência das ações de formação deve ser apresentada por escrito (via correio eletrónico, fax ou carta).
de 30 de Abril de 2012 a 18 de Junho de 2012
Casa do Professor



